Eleve sua barra de vida
Uma campanha autoral pelo fim da escala 6x1.
Este é um case ghost. Não nasceu de um cliente, de uma concorrência ou de uma demanda formal. Nasceu de uma provocação criativa nas redes, durante o Dia do Designer, em diálogo com o Dia do Trabalhador. A proposta era criar um cartaz sobre o fim da escala 6x1.
Em vez de tratar o tema apenas como uma reivindicação objetiva, escolhi trabalhar a partir de uma pergunta mais íntima: o que a escala 6x1 tira da vida de uma pessoa?
A resposta virou mote, virou texto e virou sistema visual. Se a escala 6x1 abaixa a barra da vida para o cansaço, a ausência e a repetição, o fim dela permite elevar essa barra para tudo que volta a caber no tempo: descanso, família, cultura, estudo, saúde, afeto, lazer e presença.
Projeto: Eleve sua barra de vida
Formato: campanha autoral em cartazes
Tema: fim da escala 6x1
Meu papel: conceito, redação, direção criativa, design gráfico e desdobramentos da campanha
Mote: Eleve sua barra de vida. Vamos juntos lutar pelo fim da escala 6x1.
O desafio
Falar sobre a escala 6x1 sem cair no cartaz óbvio. Esse foi o desafio que me coloquei. A pauta já carrega força própria, mas eu queria encontrar uma forma de mostrar o impacto da escala no cotidiano, nos afetos e no uso real do tempo.
O ponto de partida foi entender que a 6x1 não é só uma escala. É uma arquitetura de ausência. Ela organiza a semana de um jeito que sobra pouco espaço para viver. A campanha, então, nasce dessa disputa entre duas palavras: tempo e falta.
O conceito
A ideia central foi transformar a expressão “elevar a barra” em metáfora de vida. Em vez de falar de produtividade, metas ou desempenho, a barra aqui mede presença. Mede o quanto uma pessoa consegue descansar, conviver, cuidar de si, estudar, criar, brincar com a filha, ir ao cinema, voltar para casa sem pressa ou simplesmente não fazer nada.
Eleve sua barra de vida.
Vamos juntos lutar pelo fim da escala 6x1.
O mote costura todas as peças. Ele traz uma frase de ação, mas também uma imagem mental simples. A vida tem uma barra. A escala 6x1 empurra essa barra para baixo. O descanso, a convivência e o direito ao tempo a elevam.
A lógica criativa
A campanha foi pensada como um sistema de cartazes. Cada peça apresenta uma tensão diferente entre o excesso de trabalho e aquilo que poderia existir quando o tempo volta a pertencer à pessoa.
Por isso, a redação assume vários formatos: repetição, lista, fluxo de consciência, contraste, ruído, pausa, pergunta e pequenos recortes de vida. O design entra como corpo visual dessa escrita, criando uma campanha em que texto e imagem trabalham juntos para defender uma ideia.
Peças da campanha
A peça de abertura trabalha o contraste entre “não tive tempo” e “tive tempo”. A primeira parte acumula rotina, ônibus, trabalho, cansaço e ausência. A segunda devolve à vida pequenas ações que parecem simples, mas viram luxo quando o descanso não existe.
Aqui, a estrutura de checklist mostra a diferença entre sobreviver à rotina e ter espaço para escolher. Estudar, descansar, passear, criar, cuidar da saúde e ver amigos deixam de ser desejos soltos e viram itens de uma vida possível.
As peças do cinema trabalham a ideia de passagem. Passar pela catraca, passar em pé no ônibus, passar o dia cansado. Em contraponto, passar por uma experiência cultural, dividir pipoca, rir, se emocionar e sentar ao lado de alguém.
A peça dos calçados coloca o trabalho e a infância em contraste. De um lado, o passo repetido do expediente. Do outro, a presença que uma criança pede o tempo todo. A palavra “mamãe” vira ritmo, chamado e argumento.
Nesta execução, o som do trabalho entra em atrito com o som da vida. Relatório, refação, espera, clique. Depois, riso, amor, amizade, lugares, lembranças e histórias. A peça defende o direito a uma vida que não seja reduzida ao ruído da entrega.
A peça dos pontos trabalha pontuação como metáfora. A escala 6x1 vira uma sequência de pontos finais. Trabalho. Casa. Pronto. Mais nada. Sem a escala, entram pausas, contato, respiro e continuidade.
A repetição de “não tive tempo” cria sufocamento. O texto não quer ser confortável. Ele coloca o leitor dentro da falta, até que a própria leitura comece a cansar. A forma vira experiência.
A pergunta “qual a próxima escala?” desloca a ideia de escala para outro lugar. Sem 6x1, a próxima parada pode ser família, casa, sonhos, estudo, descanso ou qualquer caminho que não esteja limitado ao trabalho.
A peça da tesoura fecha a campanha com uma síntese visual direta. A vida não precisa estar por um fio. Cortar a escala é cortar uma lógica que prende a pessoa ao cansaço como destino.
O que esse case revela sobre meu trabalho
Este case mostra minha forma de pensar redação como ideia e não só como texto. A campanha nasce de uma frase, mas se desdobra em estrutura, metáfora, ritmo, imagem e defesa conceitual.
Também mostra como gosto de trabalhar causas sociais sem abrir mão de craft. A mensagem é direta, mas a construção evita o caminho mais fácil. Em vez de apenas pedir o fim da escala 6x1, a campanha mostra o que pode existir depois dela.
No fim, o trabalho defende uma coisa simples: tempo também é linguagem. E, quando falta tempo, falta vida para escrever.
Ficha do case
Projeto: Eleve sua barra de vida
Tipo: case ghost, projeto autoral
Contexto: Dia do Designer + Dia do Trabalhador
Tema: fim da escala 6x1
Formato: série de cartazes
Minha atuação: conceito, redação, direção criativa, design gráfico e finalização
Assinatura: Eleve sua barra de vida. Vamos juntos lutar pelo fim da escala 6x1.
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